Os poetas clamam pela poesia “nos lares, nos bares, em todos os lugares”. No Bêco de Rosália, point boêmio dos intelectuais localizado no bairro dos Barris, em Salvador, encontros entre escritores são regados a recitais que encantam o ambiente.
Douglas de Almeida, poeta e também diretor da Biblioteca Betty Coelho, participa dos recitais e explica que usar a oralidade é uma estratégia para divulgar o trabalho. Ele aponta dois graves problemas relativos à propagação da poesia – o mercado e as castas formadas no meio literário.
Com relação ao mercado, segundo a Câmara Brasileira do Livro, enquanto em países como a França as pessoas lêem, em média, sete livros por ano, no Brasil esse número não chega a dois. Além do baixo nível de leitura, em todo o país são apenas 700 livrarias. Ou seja, existem mais livrarias
em Buenos Aires que no Brasil inteiro.
As castas, às quais se refere Douglas, funcionam como forma de hierarquizar rigidamente os poetas. Assim, muitos talentos não encontram espaço para divulgar seus trabalhos, a exemplo de Abdon Mendes, de 25 anos que é estudante do curso de Letras e escreve poesias desde os 15, quando ainda estava no ensino fundamental. Não tem livro publicado, mas já possui cerca de 800 poemas. “Não digo precisamente, pois poesia não pertence às ciências exatas”, brinca o jovem poeta.
Em contrapartida, grupos fechados que envolvem os escritores já consagrados, conseguem financiamentos junto às Secretarias do Ministério da Cultura e continuam pertencendo à classe que se considera dona da arte de escrever poesias. “Não me iludo com expectativas dantescas”, reflete Abdon sobre perspectivas de publicação.
Douglas de Almeida acredita seja necessária uma mudança no cenário literário do nosso país, “É preciso reconhecer que a arte é para todos, democratizá-la. A arte é inerente à classe social.”.


