
Punhetinha seca ou molhada?
23 Abril, 2009Calma aí! Não é nada disso que você está pensando. Perguntar se a punhetinha é seca ou molhada não se trata de uma pergunta indecente. Quer testar? Pergunte a uma baiana de acarajé autêntica quanto custa a punheta.
Seca quando é pura e molhada se estiver envolvida em açúcar e canela. Presente nos tradicionais tabuleiros da cidade, esse manjar é essencialmente feito de tapioca e coco.
Ninguém melhor que Jorge Amado (1912 – 2001) para exemplificar o uso dessa palavra. “Como é mesmo tia Romélia? E tu não sabe menina? Olha que tu sabe muito bem, o nome é punheta, bolinho de estudante é pronúncia de besta!”, assim confirma o autor baiano no livro O Sumiço da Santa.
Punheta ou punhetinha, o termo foi utilizado por muito tempo para designar uma das mais saborosas iguarias baianas. O atual bolinho de estudante recebe esse nome devido aos ingredientes simples e de baixo custo.
O antropólogo Luís da Câmara Cascudo (1898 – 1986) relaciona o binômio estômago e sexo. Para ele, a fome e o amor governam o mundo. Essa seria uma possível explicação para o bolinho ser conhecido como punheta. E em seu livro História da Alimentação no Brasil ainda lembra que o sexo pode ser adiado, já a fome não.
Agora que você já conhece essa maravilha da culinária nordestina, confira a receita do quitute que seduziu até Tony Blair, ex-primeiro ministro da Inglaterra, em sua visita ao Brasil.
Punhetinha ou Bolinho de Estudante - Receita
Ingredientes:
· 500g de tapioca de caroço + 50g para passar os bolinhos antes de fritar
· 2 cocos grandes (descascados)
· 1 colher (chá) de sal
· 1 xícara de açúcar
· 4 copos de água morna
· óleo
· açúcar e canela (opcional)
Modo de preparo:
Bata o coco no liquidificador com a água.
Coloque o coco batido em um recipiente e tempere com sal e açúcar.
Acrescente a tapioca de caroço e deixe inchar.
Molde os bolinhos e passe na tapioca de caroço seca.
Frite-os em óleo quente até ficarem dourados.
Não deixe de escorrê-los em papel absorvente.
Se desejar, passe-os em uma mistura de açúcar e canela.
Está pronto para servir. É tudo de bom!
*Texto meu, extraído (e adaptado) da Troupe em Revista de fevereiro de 2009.
