
Quem vive no nordeste brasileiro costuma pedir que a chuva venha para abrandar o calor e molhar as plantações. E ela geralmente vem no terceiro mês do ano: são as chamadas águas de março. Entretanto, em 2009, ocorreu um fenômeno atípico. Os baianos ficaram praticamente sem chuvas durante esse período. Já o mês de maio, foi marcado por muita chuva e ventos fortes. Salvador, capital da Bahia, revelou o lado frágil de uma cidade que não está preparada para enfrentar índices pluviométricos tão altos. Choveu muito mais do que o normal para esta época do ano, e as consequências foram lastimáveis.
A princípio, o trânsito ficou complicado. Em seguida, foram verificados congestionamentos intermináveis nas principais avenidas. Quedas de árvores anunciavam que a chuva não daria trégua. O clima de caos tomou conta da capital baiana. Os alagamentos nas principais ruas passaram a ser constantes. A situação foi agravada com os deslizamentos de terra e desabamentos de imóveis construídos em morros ou perto deles. Moradores passavam horas tentando recuperar objetos em meio aos escombros: perdas materiais. Pessoas foram arrastadas pela força das águas e seus corpos foram encontrados dias depois, a quilômetros de distância. Homens ficaram soterrados. Mortes: perdas irrecuperáveis.
Diante dos estragos, no começo do mês de maio, o governador da Bahia, Jaques Wagner, decretou estado de emergência em Salvador e cidades próximas. Desde o início das chuvas, quase 10 mil pessoas ficaram sem casa. Paredes racharam e tetos caíram, soterrando histórias, lembranças, brinquedos, livros, móveis e eletrodomésticos. Entre as vítimas do que pareceu um verdadeiro dilúvio, estão centenas de crianças. Agora, elas estão em novas moradas, em abrigos ou vivendo com parentes.
A prefeitura contribui com pouco. Uma espécie de ajuda para o aluguel de outro imóvel no valor de R$150. Com dificuldades, as famílias vitimadas tentam conseguir outro lugar para se abrigar.
Retomar a vida e reacender as chamas da esperança é o desafio que se coloca para o povo. Não bastasse a árdua vida, a tarefa agora é reconstruir a história com o que ficou debaixo dos escombros.
Em meio a tanto sofrimento, lições de solidariedade e de amor ao próximo são demonstradas através de gestos simples: colchões, lençóis, alimentos e roupas são partilhados entre vizinhos. Salvador, terra da alegria, se entristece e segue na espera ansiosa por dias melhores.





































